Estresse Infantil

Estresse Infantil

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Enquanto você abria o jornal para ler esta crônica, mais de 10 pessoas receberam atendimento médico devido à angústia, tristeza, ansiedade, nervosismo, irritação e similares. Os distúrbios relacionados ao Estresse do dia a dia estão entre as principais causas de consultas em todo o Mundo, e não são exclusivas do universo adulto: eles afetam 13 de cada 100 crianças e adolescentes.

As crianças e os adolescentes sofrem os efeitos do estresse da mesma forma que os adultos. Uma criança que esteja passando por uma situação estressante pode apresentar sintomas de depressão, hiperatividade, ansiedade, alterações do humor ou comportamento suicida.

Ao comparar o Estresse Adulto ao Estresse Infantil, a maior diferença está no tipo de situação capaz de desencadear esta resposta: o fato do gás ter acabado ou você estar com o salário atrasado não representam fontes de estresse para uma criança. Por outro lado, uma simples prova, a troca de uma professora, a mudança de um coleguinha ou até mesmo a preparação para o próprio aniversário podem afetar profundamente o humor do pequenino.

O limite da normalidade do estresse infantil está na sua repercussão sobre o comportamento da criança. E vamos ser sinceros: você não precisa ter um PhD da USP para perceber que algo não vai bem. Crianças não devem ser excessivamente preocupadas ou apreensivas com o futuro. Não é típico de uma criança apresentar freqüentemente dores de cabeça, náuseas, vômitos, falta de ar, diarréia, palpitações, dificuldade de concentração, agressividade ou medos em excesso. Se isto está acontecendo, é bem possível que a criança esteja sofrendo de algum distúrbio relacionado ao estresse, justificando uma avaliação médica.

A fórmula para lidar com o estresse infantil é bastante simples: basta combinar Afeto com Bom Senso e Perseverança, contando sempre com a ajuda do tempero mais precioso da educação, o Tempo. Para aumentar suas chances de sucesso, mantenha estas 3 regras de ouro em mente:

FUJA DA TIRANIA
É triste dizer, mas conheço vários pais tiranos que utilizam verdadeiras técnicas de tortura para tentar resolver problemas domésticos. “A criança tem medo de escuro? Tranque-a sozinha em um quarto sem luz por algumas horas, ela verá que nada de terrível acontece e perderá o medo”. Excelente! Ao exercer sua tirania dessa forma, você acabou de descobrir uma nova maneira de corroer o elo de confiança entre você e seu filho. Muito bom mesmo.

NÃO JULGUE, AJUDE
Seu filho só irá procurar sua ajuda se tiver certeza de que não será hostilizado ou ridicularizado. Por exemplo: estressada e com medo de enfrentar a nova escola, seu filho se recusa a colocar o uniforme. Marque a alternativa correta:
a) “Vamos lá, será divertido, você consegue, irá fazer novos amigos!”
b) “Que coisa mais patética! E engole esse almoço porque já estou perdendo a hora de chegar no serviço!”
c) “Se você não colocar logo este uniforme, eu…! eu…!” (gesticulando como quem estrangula um frango).

LIDERE PELO EXEMPLO
Se a criança se estressa amedrontada com cachorros, você não precisa atravessar a rua toda vez que avistar um. Segure a mão da criança, mantenha tranquilamente seu rumo e passe a mensagem correta: nada de fobias. Mas também não precisa fazer o menino passar a mão na cabeça do dobermann: confrontar a criança dessa forma com aquilo que a aterroriza não é exatamente a melhor maneira de trabalhar o estresse. Vença os medos dela pela liderança e lembre-se: um grama de exemplo sempre valerá mais que uma tonelada de conselhos.

 

Alessandro Loiola é médico amigo e colaborador do Cada Dia, escritor e palestrante, autor dos livros “Vida e Saúde da Criança” e “Crianças em forma: saúde na balança”.

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