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Aquela sexta feira

Outro Tipo de Rei
Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-Lhe: És Tu o rei dos judeus? João 18:33

Educado por Roma, Pilatos era um homem que pensava de modo prático. Tudo o que ele queria era uma resposta simples. Preto no branco, breve. Do estilo verdadeiro ou falso. Não posso deixar de pensar que Pilatos estava estarrecido. À sua frente, encontrava-se Jesus, enfraquecido pela noite anterior de abusos, lábios inchados, marcados por sangue ressecado. Desacompanhado, sem qualquer comitiva em Seu favor. Certamente não havia nada nEle que parecesse real. Ridicularizado, coroado com espinhos, com filetes de sangue vivo ainda a escorrer, uma jocosa capa vermelha, Sua posição não parecia adequada a um rei.

Os olhos de Pilatos haviam sido treinados pelo que já vira acerca de reis. Mas a experiência passada não o havia preparado para Jesus.

Muito preconceito deveria ser antes removido da cabeça de Pilatos. Jesus testou o homem que o julgava: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a Meu respeito?” (v. 34, NVI). Embaraçado, Pilatos mudou de estratégia. “Que fizeste?”, ele perguntou (v. 35). A resposta de Jesus o deixou ainda mais perplexo: “O Meu reino não é deste mundo. Se o Meu reino fosse deste mundo, os Meus ministros se empenhariam por Mim, para que não fosse Eu entregue aos judeus” (v. 36).

Seu lugar junto à cruz:
E obrigaram a Simão Cireneu, que passava, vindo do campo, pai de Alexandre e de Rufo, a carregar-Lhe a cruz. Marcos 15:21

Os dias de Sua popularidade estavam no passado. Depois da ceia naquela quinta-feira, Jesus começa a sentir a intensidade e o peso do pecado, como substituto do homem culpado. No Getsêmani, Ele antecipa os horrores da segunda morte. Grossas gotas de sangue brotam dos poros, em resultado da extrema angústia. Sua convulsão é testemunhada apenas pelo silêncio das velhas oliveiras. Sua hora chegou! Preso, é submetido a cinco julgamentos irregulares, sob acusações ridículas. A essa altura, Jesus já deveria estar em estado crítico: sem alimento, água, em pé por muitas horas, esbofeteado, açoitado, coroado de espinhos. Finalmente, colocam sobre Ele a cruz (Jo 19:17), pelo menos a haste horizontal (patibulum), com um peso que podia variar de 15 a 30 quilos. Isso se prova muito para ele.

A caminho do Calvário, grandemente enfraquecido, a pele e os músculos dos ombros dilacerados, Jesus cai. A multidão O aperta.

Nenhuma fisionomia amiga. Os discípulos haviam fugido. Deus abandonado por Deus! Um homem que passa, talvez parando por curiosidade para ver a causa da comoção, é subjugado por mãos rudes e obrigado a tomar a cruz. Qual teria sido a reação inicial de Simão? Seu olhar se cruza com o olhar do Condenado. Simão observa melhor Seu semblante pálido, hematomas nos olhos, lábios inchados, fios de sangue ressecado marcando Sua face. No Homem, há algo que prende sua atenção.

Simão ligou-se ao drama do Universo no momento em que as portas do Céu se fecharam, impedindo que os anjos interviessem em missão de socorro. Quem era o homem ao lado de Cristo? Um judeu da diáspora, um prosélito que fora a Jerusalém para a Páscoa, como tantos outros (At 2:10)? Qual a impressão final do Calvário sobre ele, que inicialmente era apenas um curioso? Certamente o Espírito Santo lhe iluminou a alma. Seu testemunho alcançou depois a família. Por que haveria Marcos de mencionar seus filhos, Alexandre e Rufo, não fossem eles conhecidos na igreja de Roma, como indicado em Romanos 16:13? A história de Simão é representativa. Ela é um convite para nossa identificação com a cruz. Depois disso, nunca mais seremos os mesmos.

 

Amin Rodor – Professor e Teólogo Meditações Matinais 2014 – Usado com permissão do autor. Muito obrigado por ler e gostar dos artigos! Não esqueça de colocar os créditos.

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