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A coluna vertebral

As dores nas costas respondem por 5% das consultas médicas e são uma das causas mais comuns de incapacitação para o trabalho. Estudos recentes também sugerem que 70% das pessoas sofrerão pelo menos uma crise severa de dor nas costas ao longo de suas vidas. Por que isso acontece?

A coluna não é um osso solitário, mas uma peça inacreditável de engenharia. Constituída por dezenas de vértebras articuladas interpostas por anéis cartilaginosos, ela é capaz de absorver impactos imensos. Para ter uma ideia, graças à estrutura complexamente flexível e resistente da coluna, você pode amarrar seu próprio tênis e pular de uma escada.

A coluna é dividida em 6 partes: cervical, torácica, lombar, sacral e coccígea. O pescoço (coluna cervical) contém 7 vértebras, que se tornam maiores à medida que se aproximam da região dos ombros. Em seguida, as 12 vértebras da coluna torácica se estendem dos ombros até a coluna lombar, que por sua vez é constituída por 5 vértebras bem maciças. A esta divisão se segue a coluna sacral, cujas vértebras fundidas se articulam de cada lado com os ossos da pelve. Finalmente, abaixo do sacro, está a parte final da coluna, o cóccix, que, em alguns animais cordatos e mulheres com sobrenome de fruta, pode prosseguir formando uma extraordinária cauda.

A primeira vértebra cervical articula com o crânio e atende pelo nome de Atlas, em referência ao deus grego que sustentava o mundo em suas costas. Nada mais apropriado: o pescoço nunca descansa. Dotado de grande flexibilidade, ele está sempre tentando equilibrar a cabeça, uma tarefa do meu ponto de vista inútil durante toda a adolescência. Em contrapartida, a coluna torácica e sacral são relativamente imóveis.

A coluna vertebral também protege a medula, um tubo de 10 bilhões de células especializadas que estabelecem uma via de comunicação nervosa entre o resto do corpo e os centros de comando inteligentes no cérebro humano. Mas este esquema não funciona exatamente desse modo em todo mundo: nos gestores públicos, por exemplo, os cientistas descobriram que a medula ainda procura por um destino viável dentro crânio.

Por causa da posição ereta, das cargas de tensão e da distribuição desigual de peso ao longo de seu eixo, as vértebras são continuamente empurradas para frente e para fora do alinhamento. Não surpreende que este desgaste permanente possa resultar em desconforto.

Para ajudar a preservar sua coluna e diminuir o risco de crises dolorosas, anote aí algumas informações importantes:

  • Dores que pioram à noite ou com o repouso na cama podem ser causadas por depressão. Nestes casos, um tempo sob antidepressivos pode valer à pena.
  • Dor e rigidez mais intensas ao acordar, e que desaparecem gradualmente após cerca de 30-60 minutos de atividade, em geral são causadas por problemas inflamatórios.
  • Se dor é mais intensa ao ficar de pé ou andar, e alivia na posição sentada, a causa mais provável é uma fratura por estresse na parte interarticular de alguma vértebra.
  • Se a dor nas costas estiver associada à dormência nas pernas, nas nádegas, na região perineal ou perda do controle da urina ou das fezes, procure atendimento médico com urgência: você pode estar sofrendo de hérnia de disco.
  • Movimentos repetidos, exercícios inadequados, problemas posturais e o consumo de cigarros tornam a coluna mais propensa a lesões. Faça tudo isso se quiser manter o emprego do seu ortopedista.

Apesar do terrorismo, a maioria dos casos de dores nas costas desaparece após alguns poucos dias, bastando que você não exagere no tratamento e siga corretamente as orientações do seu médico de confiança.

CURIOSIDADE: VOCÊ SABIA?

Durante o repouso, o disco cartilaginoso que separa as vértebras se expande, absorvendo líquido. Esta retenção de fluidos pode aumentar o comprimento da coluna em até 2,5 cm em uma noite. Ao acordar e andar para fazer as atividades do dia, este líquido extra é lentamente espremido e expulso dos discos. Por causa deste mecanismo de absorção noturna e expulsão diurna de água nos discos intervertebrais, você possui uma estatura maior pela manhã que ao final do dia.

 

Alessandro Loiola é médico amigo e colaborador do Cada Dia, escritor e palestrante, autor dos livros “Vida e Saúde da Criança” e “Crianças em forma: saúde na balança”.

 

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