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Agenda Cheia

Achar um tempo vago na agenda não é fácil para Carlos Roberto. Desde as 7 da manhã as atividades tomam seu tempo durante todo o dia e principio da noite. Uma rotina cansativa para qualquer adulto, porém Carlos só tem 7 anos.

Algumas décadas atrás, as crianças somente brincavam até o momento de irem para escola, o que ocorria depois dos sete anos. A vida moderna trouxe mudanças e exige, cada vez mais, que as pessoas se capacitem. A partir dessa preocupação, muitos pais matriculam seus filhos em cursos e escolas muito cedo. Crianças com dois anos já estão praticando esportes, balé, ou mesmo tendo noções de inglês. Outro fator é que muitos pais trabalham fora e para não deixarem que seus filhos fiquem sozinhos, buscam alternativas para suprirem esta ausência.

Com estas atitudes estamos sobrecarregando nossos filhos com atividades intensas sem que estes possuam estrutura para suportar tal rigor. Não é de se admirar que hoje encontremos em consultórios de psicólogos, crianças de sete, oito anos estressadas, irritadas, agressivas, desmotivadas, introspectivas, por conta de uma rotina excessiva de atividades que nem nós adultos podemos cumprir.

Conversando com uma mãe, ela disse que a filha tinha compromissos de segunda a sábado: balé, natação, teatro, canto, curso de espanhol e inglês já constavam em sua agenda e que a filha gostava muito desta rotina. Não duvido que ela goste, assim como creio que tem crianças que gostam de brincar todo o tempo, mas nem por isso vamos satisfazer os desejos dela permitindo que use seu tempo só em brincadeiras. Cabe a nós adultos buscar o ponto de equilíbrio para que estas crianças possam aprender na medida certa. Para a criança, a educação formal é tão importante quanto brincar. Se na educação formal ela vai ganhar principalmente conhecimento do mundo exterior e para o mundo, é no brincar que ela traduz o mundo, se situa nele, exerce sua criatividade, representa a realidade e reproduz as emoções e sentimentos e se dá conta que o mundo é muito maior e que ela esta inserida nele e pratica neste universo seus conhecimentos.

Não estou dizendo que estas atividades devam ser excluídas, ao contrário elas devem existir. Mas na medida certa e na época certa de acordo com a faixa etária.  Estas atividades muito mais do que simplesmente manter a criança ocupada, auxiliam na socialização, na integração com outras crianças e descobrir o “outro” e abrir fronteiras. Mas não podem existir a ponto de absorver todo o tempo da criança, a tal ponto que estas se tornem adultas sem ter tido o prazer, a alegria e principalmente o benefício que a infância proporciona e se tornarem incompletos por terem pulado uma fase tão importante da formação pessoal.

Sei que você ama seu filho e quer o melhor para ele, normalmente todos os pais desejam isso. Mas não deixe que as pressões e imposições sociais façam que você retire dele algo que é natural e imprescindível. Não dê a seu filho atividades que ele não tem capacidade de suportar. Lembre-se que na infância, brincar também é aprender.

Péricles Ramos é filósofo e palestrante sobre relacionamentos familiares

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