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Fidelidade no casamento: lições da relação com Deus

Biblicamente, antes de se falar em fidelidade no casamento, entre um homem e uma mulher, é preciso se pensar no tipo de relação que homem e mulher possuem com Deus. Espiritualmente, há uma clara conexão entre o tipo de relacionamento que marido e mulher possuem diariamente com o Deus em que dizem acreditar e a forma como eles agirão um com o outro na convivência caracterizada pela fidelidade.

Interessante é constatar que, conforme Gênesis 12:1-3, Deus estabeleceu uma aliança com Abrão (mais tarde, Abraão) em torno de promessas. Deus prometeu algo a ele desde que fosse fiel. Isso teve repercussão imediata na forma como ele e a esposa (família) agiram na sequência. Deixaram seus parentes e seguiram rumo ao local que Deus disse que deveria ser palco de um trabalho significativo. 

O princípio do matrimônio com fidelidade de ambos nasce do fato de o homem e mulher compreenderem a fidelidade de Deus e viverem isso de forma prática. Há características bíblicas muito claras na seguinte equação: a fidelidade de homem e mulher a Deus implica fidelidade entre homem e mulher. 

Fidelidade no casamento reflete temor de Deus da parte de ambos – José, na casa de Potifar (Gênesis 39), foi primeiramente fiel ao que Deus havia ensinado a ele e, em um segundo momento, não aceitou a promiscuidade oferecida pela adúltera esposa do dirigente egípcio. Uma ação decorreu da outra. O temor de Deus precisa vir primeiro e fundamentar a vida do casal. Esse temor implica comunhão com um Deus que, ao contrário de outras crenças, mostra-se pessoal e acessível constantemente por meio da Sua Palavra e da oração. 

Fidelidade significa comprometimento com o outro – O mesmo tipo de compromisso que Deus estabeleceu com o ser humano, de forma geral, precisa ser reproduzido na relação matrimonial. A lógica é simples. Deus cumpre com as Suas promessas, pois ser fiel faz parte do Seu caráter (Hebreus 10:23). Uma mulher e um homem cristãos precisam definir o comprometimento um com o outro como algo de extremo valor, não temporário, circunstancial, puramente fruto de emoções transitórias. Ser cúmplices, amigos, confidentes. 

Fidelidade tem a ver com o combate ao egoísmo – O casamento é feito de concessões, de respeito àquilo que o outro sente e pensa, de tolerância aos erros, do exercício diário do combate ao egoísmo. Ellen White, notável escritora, afirma no livro Conselhos sobre Mordomia, fazendo alusão ao egoísmo, que “nações, famílias, e indivíduos estão cheios do desejo de fazer do eu um centro. O homem almeja governar sobre os seus semelhantes. Afastando-se de Deus e de seus semelhantes em seu egotismo, segue suas irrefreadas inclinações. Age como se o bem dos outros dependesse de se submeterem a sua supremacia”. A infidelidade deriva, também, desse supremo desejo de se satisfazer o tempo inteiro sem se colocar no lugar do outro.

Fidelidade é guiada por hábitos saudáveis – Voltando ao exemplo de Deus, podemos aprender sempre algo edificante. Imagine se o Senhor só fosse fiel ao ser humano quando estivesse de bom humor ou de acordo com o “Seu dia”. A misericórdia exercida por Deus se renova todos os dias, independentemente do que os seres humanos fazem em relação a Ele (Lamentações 3:22,23). Seria uma tragédia em nossa vida se isso fosse diferente. Estaríamos sujeitos a emoções instáveis e a decisões, da parte divina, absolutamente imprudentes. A fidelidade no casamento sempre terá elementos marcados pela prática de hábitos saudáveis. Ou seja, atitudes tomadas constantemente no que diz respeito a nossa vida fisicamente, emocionalmente e espiritualmente. Geralmente, a infidelidade conjugal não se dá de um dia para o outro, mas é resultado de um processo lento e regular de decisões contrárias aos princípios bíblicos do casamento.  

Fidelidade está alicerçada na sinceridade e na verdade – Parece até óbvio mencionar isso, mas Deus é fiel em relação ao ser humano porque Ele representa a verdade (João 14:6) e o tipo de relacionamento que Ele desenvolve com as pessoas não é de fingimento, meias palavras, informações escondidas, hipocrisia. Deus espera que homens e mulheres sejam sinceros ao falar com Ele. Esse mesmo modelo serve para o casamento. A fidelidade depende, em muito, de quão sincero homens e mulheres são no cotidiano em relação a suas mágoas, aborrecimentos, erros, etc. Sem sinceridade, abre-se caminho para dores não resolvidas e o cultivo de pensamentos e sentimentos nocivos que, por fim, podem levar, também, a uma atitude de infidelidade.

Fidelidade está totalmente ligada a atenção e cuidado – Alguns religiosos sustentam a crença de que Deus ou algum tipo de divindade até pode existir, mas que estão distantes dos seres humanos e não se interessam por aquilo que fazemos ou deixamos de fazer aqui. A ideia de um poder sobrenatural, de certa forma alheio a nossa realidade, omisso em relação a criaturas humanas, contradiz o preceito bíblico de um Deus pessoal, atencioso e cuidador (I Pedro 5:7). Sua fidelidade é atestada por essa característica importante. Na vida conjugal, um antídoto à infidelidade é a atenção e o cuidado demonstrados por homens e mulheres o tempo inteiro. A capacidade de saber ouvir o outro e ajudar acaba tendo um valor mais estimado do que se imagina e fortalece, de fato, o vínculo a ponto de enfraquecer tendências que conduzem a possíveis comportamentos adúlteros. 

O amor de Deus produz a fidelidade – Uma leitura atenta do famoso capítulo 13 de I Coríntios será suficiente para se perceber qualidades desse amor que só podem ter uma origem sobrenatural. O amor, descrito ali pelo apóstolo Paulo, está muito mais parecido com o caráter de Deus (bondade, sem orgulho, abnegado, busca os interesses do outro, sem irritação, sem ressentimentos, que se alegra com a verdade, capaz de suportar tudo, etc) e menos com o tipo de amor que usualmente homem e mulher prometem mutuamente sem usar muito a razão. Esse tipo de amor produz gente mais fiel a princípios e menos fiel a circunstâncias específicas. Esse amor não está naturalmente em jovens prestes a se casar, porém precisa ser buscado, desenvolvido ao longo do tempo. É externo e sobrenatural; não advém de pensamento positivo, da capacitação na igreja ou simplesmente porque os pais conseguiram desenvolver (hereditário). 

Felipe Lemos – Jornalista, amigo e colaborador do Cada Dia

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