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Filhos e companheirismo

Havia uma propaganda na televisão muito interessante. Nela aparecia uma visão ampla de uma rua e as respectivas casas, em silêncio aparecia um transporte escolar e de algumas residências saiam crianças que embarcavam e seguiam para escola. Então de repente o silêncio era quebrado e de todas as casas saiam os pais, parentes e empregados cantando, pulando e dançando, festejando a volta às aulas, e a alegria era consequência de ficarem livres das crianças e de todo a movimentação e agitação que elas provocavam. Realmente a cena era muito engraçada e motivo de brincadeiras e comentários dos adultos principalmente dos pais.

Aquilo era uma propaganda comercial, muito bem feita e criativa sem dúvida nenhuma, mas infelizmente muitos de nós pensamos e agimos de acordo com ela, quem sabe talvez até fosse uma representação inconsciente ou não do que em geral sentimos quando se chega os fins de semana, feriados e férias, em que ficamos em contato direto e em uma escala de tempo muito maior. Às vezes nos sentimos tensos e preocupados só em pensar que teremos que ficar juntos todo um longo fim de semana.

Lembro-me de uma senhora que fazia questão que seu filho fizesse parte de um grupo de crianças chamado Desbravadores, que acampavam, passeavam e aprendiam lições práticas junto à natureza. Costumava dizer: você não merece, mas eu vou mandar você assim mesmo, e confessava que era para se ver “livre” das traquinices da criança.

Estes momentos são únicos para uma criança, é a oportunidade de ficarem junto aos pais o que para elas é de muita importância.

Elas querem poder correr, pular, brincar e se divertirem em companhia daqueles há quem muito amam, e que por uma questão social, cultural e financeira ficam distantes e ausentes por muito tempo. Li os resultados de uma pesquisa que constatou que uma criança em média passa com o pai apenas 5 minutos por dia contra 5 horas diante da televisão no mesmo período.

As crianças se ressentem da ausência dos pais e se entristecem quando estes não apreciam sua companhia assim como percebem que estes fazem planos para as manterem distantes.

Estes momentos de interação servem para estreitarmos os laços de amizade e carinho, assim como de atenção e respeito. Tais momentos poderão se tornar os melhores não somente delas, mas também de nós pais. Estes instantes, estes tempos especiais ficarão gravados e marcados na memória de pais e filhos e serão recordados com carinho, apreço e amor por todos os dias de nossas vidas.

Muitos de nós pais, ainda hoje podemos nos lembrar de alguns momentos especiais que passamos juntos com a família quando ainda éramos crianças. Uma viagem de férias, uma excursão ou mesmo coisas simples como uma ida a praia, uma caminhada em um parque ou jardim, uma visita a um navio ou avião e até o passeio em uma roda gigante ou os carrinhos de bate-bate no parque de diversão.

Estas lembranças de afeição, recordações alegres e saudosas de dedicação, companheirismo e solidariedade nos ajudam e fortalecem no nosso dia a dia.

Então, crie raízes de amizade e de amor estreitando os laços familiares, elimine as lacunas, os espaços vazios no relacionamento pais e filhos, aproveite a oportunidade para conhecê-los mais intimamente não de uma forma investigativa ou mesmo inquisitória, mas através do companheirismo e da amizade desenvolvidas.

Lembre-se que pode não parecer, mas eles crescerão e estes momentos e oportunidades que não forem aproveitadas se perderão para sempre e em vez de lembranças agradáveis poderão se tornar simplesmente considerações nostálgicas e tristes de algo que poderia ter sido muito bom, mas que nunca ocorreu.

Então, divirta-se e aproveite cada instante desta companhia alegre e maravilhosa de uma criança que acredita em você, que ama e que o considera com muito amor e atenção.

Seja feliz e proporcione a felicidade maior de uma criança que é ter junto de si pais compreensíveis, amorosos, amigos e principalmente presentes e atuantes.

 

Péricles R. Ramos é filósofo e discorre sobre Relacionamentos Familiares. É membro da ABRATEF – ATFRJ Associação Brasileira de Terapia Familiar – Rio de Janeiro.

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