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Muito mais do que o ouro

Os jogos olímpicos restabelecidos na época contemporânea, gozam de grande prestígio internacional. Bilhões de pessoas acompanham com extremado interesse o esforço feito pelos atletas que buscam ultrapassar as limitações impostas pelo físico. O centenário lema dos jogos, em latim “Sítius – Altius – Fortius”, ou seja, mais rápido, mais alto, mais forte, promete que há sempre grande recompensa e júbilo para os campeões em todas as modalidades ao buscarem a excelência. A realização desses jogos sistematizados na Grécia, envolve despesas fabulosas.

A origem das competições atléticas que deram surgimento às modalidades de esporte hoje praticadas, se acha envolta na névoa da antiguidade. Evidências arqueológicas demonstram que já eram realizadas no décimo terceiro século antes de Cristo, embora os gregos considerem o tempo de sua primeira olimpíada em 776 A.C. como a data inicial dessas competições.

Revela-nos a História que era extremamente rigoroso o treinamento dos atletas que participavam nesses jogos. Alimentavam-se e se exercitavam de acordo com regras muito severas. Usavam toda habilidade e vigor adquiridos como resultado do seu intenso treinamento. Para ter alguma chance de vitória, o atleta que competia tinha que aprender a dominar seus desejos e apetites para ser capaz de fazer com que o corpo respondesse imediatamente às ordens da mente. Os clássicos gregos refletiam o ideal de mente sã em corpo são, conceito hoje validado por pesquisas científicas.

Exigia-se o domínio próprio em todas as coisas, não apenas naquelas obviamente nocivas, mas até sobre aquelas não prejudiciais em si mesmas. Tudo o que pudesse debilitar o corpo devia ser dispensado. Assim, a vitória surgia como resultado da disciplina e do esforço e por isso mesmo, os vencedores eram festejados diante dos jovens como heróis, favorecidos dos deuses, dignos de imitação.

Os esportes eram vistos como algo capaz de substituir atividades prejudiciais a que se inclinam com facilidade os jovens. Eram um substituto aos estímulos a uma vida desenfreada ou às complacências exageradas.

Como quase tudo nesta vida se nivela por baixo, também alguns dos elevados ideais olímpicos se perderam. Apesar dos esforços para se resgatar a tradição da antiguidade, as modernas olimpíadas não passam de metáfora das competições do passado. As exigências oriundas de uma preparação para os jogos olímpicos eram reveladoras das reservas morais dos membros de uma geração que, ao lado dos decadentes, demonstrava a aceitação voluntária de princípios éticos e a exaltação de valores morais.

No Estádio e na vida.

O que se vê, muitas vezes hoje é o contrário. Atletas, mesmo entre os profissionais são reprovados nos exames antidoping, pelo uso de anabolizantes e de drogas capazes de potencializar a capacidade física. Medalhas são cassadas, títulos anulados, reputações enxovalhadas. Estrelas do atletismo mundial como Ben Johnson, Maradona, Cannígia e tantos outros, enquanto no mundo inteiro se desenvolve uma verdadeira cruzada contra a sedução das liberdades ilusórias e das falsas perspectivas de felicidades prometidas pelas drogas, sucumbem como vítimas do mal que deviam combater.

Profissional ou amador, o atleta tem influência positiva ou negativa.  Não pertence a si mesmo ao se tornar um herói, mas responde diante de Deus pelo seu desempenho. Portanto, com o aprimoramento físico, impõe-se a educação social, moral e a formação do caráter. Independente da vitória, isolada ou da equipe, há outro fator valioso: a promoção de uma antropologia cristã. A formação do caráter é infinitamente  mais importante do que a conquista de todas as medalhas de ouro de todas as olimpíadas.

A preocupação com o aspecto físico predomina hoje sobre os aspectos moral e espiritual. O treinamento do espírito deveria corresponder ao treinamento físico. A força física não é mais importante do que a força do caráter. A exuberante força física de Sansão não impediu sua ruína diante dos filisteus. Os jovens precisam saber que a permissividade não é o topo da civilização. Não chegarão a ele os que se entregam ao desregramento moral, mas os que disciplinam o espírito e exercitam o domínio próprio.

São Paulo cita o exemplo das competições nos estádios para estimular os cristãos a serem fiéis ao Evangelho: “Não sabem vocês que os que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas um só leva o prêmio? Corram de tal maneira que o alcancem. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, a incorruptível.” (I Co. 9:24, 25). Muito mais do que entretenimento, esses dias de Olimpíada nos oferecem a oportunidade de refletir sobre o verdadeiro significado da vida cristã.

Marcos Osmar Schultz – Pastor

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