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Os Cinco Verbos do Amor

Creio que antes de iniciar o segundo item a respeito da santidade do matrimônio, é necessário entrar em alguns detalhes e ampliar o significado dos cinco verbos do amor que apontei como essenciais para compreender a verdadeira natureza do amor. Se alguém não entender a natureza do amor, também não irá entender que o casamento é sagrado e para sempre, pois o casamento é a instituição dada por Deus para preservar o amor. É dentro do casamento, e por extensão, da família, que o amor é espalhado pela face da terra, primeiro para os cônjuges e depois para os filhos e daí para a família extensa e por fim para a sociedade em geral. Amar o próximo como a si mesmo é a receita do Evangelho para uma sociedade amorosa. Assim, vamos dissecar estes verbos do amor para entender isso direitinho.

Conhecer – o que quero propor aqui é que não existe o que se chama “amor à primeira vista”. Não existe aquilo de “bateu o olho e gamou”! O amor precisa “conhecer” e para isto uma série de coisas precisam estar presente na relação.

Na prática o conhecimento acontece de maneira bem interessante. As pessoas apresentam o seu lado “bonitinho” primeiro. Ninguém é bobo de dizer logo de cara quais são seus defeitos. Você não vai encontrar ninguém se apresentando como “preguiçoso”, “relaxado”, “desorganizado”, “de pavio curto”, “parcial”, “desafeto”, “traidor”, e coisas dessa natureza. Ao contrario, é de se esperar que nos primeiros encontros, cada um se arrume, tome banho, coloque perfume, arrume o cabelo, escolha uma roupa apresentável, corte as unhas, limpe os sapatos, e escolha uma meia e roupas íntimas que não tenha furos. Ainda cada um procurará apresentar-se com boas maneiras, educados, gentis, sorridentes, sempre contentes, nunca deprimidos, entusiastas, animados.

É fácil “amar” estas coisas e qualidades, qualquer pessoa aprecia estas características. E no início é isso que as pessoas mostram umas para as outras, por isso é que é necessário manter um pouco de precaução com estas primeiras impressões. Como diz o ditado, “toda moeda tem dois lados”. E eu acredito que não é diferente na questão de relacionamentos e no desenvolvimento do amor.

Conhecer é o primeiro estágio no desenvolvimento do amor, e pode ser o único se o indivíduo não estiver disposto a ser honesto consigo mesmo e com os semelhantes e mostrar o “outro lado da moeda”. Todos temos, não existe ninguém perfeito, ainda que os apaixonados sempre acham que seus escolhidos são os seres mais perfeitos do universo. Isso é fruto de uma distorção cognitiva que faz com que a realidade fique relegada a um segundo plano. O amor é mais racional do que muita gente pensa.

Para alguém realmente conhecer alguém ou algo, é necessário ter informação dos dois lados, saber o mais possível tanto do lado positivo, quanto do negativo. Saber as limitações e as possibilidades. Conhecer os prós e os contras. Analisar o bonito e o feio de cada um, o bem e o mal, o lado construtivo e o destrutivo que cada ser humano tem. Uma coisa interessante ainda sobre o conhecer, é que aqui, neste nível, é a única oportunidade de se fazer um julgamento, de aplicar uma avalição sobre a relação. É nesta etapa que a mulher precisa decidir se vai pegar as cuecas e toalhas que ele deixa espalhadas pela casa ou não, escolher se a maneira como ele ou ela trata os familiares como irmãos, irmãs, pai e mãe, será a maneira como você deseja ser tratado (a), pois dificilmente alguém muda seu jeito depois de casado. É possível, mas muito difícil.

É na fase do conhecer que é preciso saber se você tolera os defeitos. Se você, por exemplo, aceita alguém que vai dormir sem tomar banho, que limpa o nariz com o dedo na frente de qualquer pessoa ou situação, que gosta de arrotar após tomar uma Coca-Cola, que não tem vergonha de soltar gases mesmo que alto na frente de outros, apenas para deixar você vermelha (o) e ainda dar risadas da situação. Você terá que decidir mesmo sobre aquelas manias que são privadas, particulares, que somente você e seu parceiro sabem. Você aguenta viver com alguém que se estiver sentado vendo televisão e quer cuspir, pega qualquer sapato que está perto e cospe dentro apenas para não precisar levantar? E quando você briga e acha ruim ele (a) diz que depois limpa, que sapado é sujo mesmo e que não há nada de mais se depois ele (a) mesmo vai deixar limpinho, limpinho. Que tal aquela mulher que larga os absorventes sujos abertos dentro do lixo do banheiro, pois, afinal, estão no lugar certo, para que se dar ao trabalho de dobrar, embrulhar num papel higiênico limpo antes de colocar no lixo? Ou aquela mulher amabilíssima que, no entanto, é completamente desorganizada. Que quando começa a arrumar aa casa mexe em todo os cômodos e no final do dia a casa está pior do que antes de ela “arrumar” a casa?

A esta altura você pode estar achando que estou exagerando, mas cada um destes exemplos e inúmeros outros, são de casos reais, pessoas de verdade, que já atendi com problemas de casamento. Todos eles passaram pela fase do conhecer “cegos de amor” para estas coisas.

Veja, na maioria dos casos, os parceiros sabiam destes defeitos, ou limitações ANTES de chegarem ao altar. Mas acharam que poderiam mudar seus parceiros DEPOIS de casarem. Vocês já ouviram aquela famosa frase “depois de casar eu o coloco na linha?” Pois é talvez quem lhe disse isso esqueceu que esta é uma frase mentirosa. Sim, mentirosa por um motivo simples, a base do amor está na aceitação (que é o próximo verbo do amor), e querer mudar o outro é a própria negação da aceitação. É como se um dissesse para o outro: não gosto de você deste jeito, para eu lhe aceitar existem condições. Quando isto acontece, a relação vira um contrato cheio de ses. Se você mudar nisto e naquilo, então ficamos juntos, se estas e aquelas condições existirem então seremos felizes, mas se porventura as minhas condições não existirem então estou fora da relação. Uma relação cheia de condições é uma relação egoísta, pois o foco está nas condições que eu estabeleço e eu vou estar muito atento para checar se o outro esta preenchendo as minhas condições. E se tivermos duas pessoas juntas numa relação com esta mesma mentalidade nunca teremos uma relação, mas uma briga constante. E ainda mais, egoísmo é a própria negação do amor. Na verdade o egoísmo é a raiz de todos os males num casamento ou de qualquer relacionamento, seja amoroso, seja social ou mesmo comercial. O egoísmo é um sentimento e atitude muito mal entendida por muitos. A maioria acha que “amor próprio” é igual a egoísmo. Digo que este é um erro que muitos cometem. Egoísmo não tem nada a ver com o amor. Não se pode usar a palavra amor para se definir egoísmo, pois o egoísmo é a contradição do amor, é o oposto do amor. Na verdade “amor próprio” é nada mais, nada menos, que aplicar estes cinco verbos do amor a si mesmo, o que é bastante saudável e próprio, coisa que todos devem fazer para estarem de bem consigo mesmos e ainda serem capazes de amar o outro. Na bíblia encontramos o conselho de que devemos amar o próximo como a nós mesmos, portanto, se alguém não se ama, não tem “amor próprio”, como irá amar a alguém?

Assim, egoísmo tem que ser algo diferente, digo, muito diferente do amor e precisa ser definido com uma sentença que não contenha a palavra “amor” em sua definição. Vou deixar de lado a questão do egoísmo aqui, pois por si só merece outro artigo no futuro. Vou apenas dizer que o egoísmo está na própria essência do caráter maligno, e se você se envolve com alguém realmente maligno você está destinado a sofrer de baixa autoestima e depressão, pode desenvolver forte propensão a pensamentos suicidas e isto pode levar você, de fato, a morte. Pode não ser trágico como um suicídio, mas, os recentes estudos em psicossomática, indicam que alguém exposto a um ambiente emocionalmente hostil por um prolongado período de tempo, pode ter uma diminuição na atividade de uma parte do cérebro chamada hipocampo que a pessoa perde a capacidade de receber uma nova informação no cérebro e rebaixa o sistema imunológico predispondo o indivíduo ao câncer e outras doenças oportunistas que podem, no final das contas, levarem a pessoa à morte. Existem muitas mortes prematuras que poderiam ser evitadas, apenas se a pessoa não tivesse vivido numa relação sem amor e cheia de egoísmo. E para finalizar essa questão do egoísmo quero ainda dizer que a relação egoísta, não é facilmente identificável como alguns possam pensar. Ela na verdade é muito camuflada, pois o indivíduo egoísta não quer “manchar” sua imagem de bonzinho (a), lembre, é um egoísta, então quer a opinião pública a seu favor. Assim, uma boa dica de que você pode estar numa relação com um egoísta é quando você percebe que todos a sua volta gostam dele, mesmo os que estão perto de você, sua mãe, seu pai, seus irmãos e amigos, todos, estão achando que você é que está vendo demais, e ele ou ela é que é o bonzinho da história. Se você percebe que sua voz não está sendo ouvida por ninguém a sua volta, e você está sentindo que está sofrendo, você está em grande risco de estar envolvido (a) com um egoísta. E adianto mais, vai ser muitíssimo difícil sair desta relação sem ajuda de um profissional, psicólogo, psiquiatra ou conselheiro profissional. Procure ajuda já, quanto antes melhor.

Creio que expliquei de maneira clara que conhecer não acontece “a primeira vista”, não é instantâneo, não é intuitivo, mas é demorado, racional, intencional, e envolve um julgamento de valor. Conhecer é colocar na balança os dois lados, o positivo e o negativo, os potenciais e os limites e então verificar se os pontos considerados negativos são suportáveis, toleráveis. Uma relação somente será para a vida toda, “até que a morte os separe” se os pontos negativos são suportáveis. Veja que nesta perspectiva o casamento para toda a vista está baseado nos pontos negativos. O que faz a diferença é conhecer este lado. E se uma vez conhecendo este aspecto negativo você ainda acha que é tolerável, então esteja pronto (a) para NUNCA MAIS reclamar deles. Você viu, conheceu, teve acesso e DECIDIU que queria viver com eles, ACEITOU o outros com estes defeitos. Portanto aqui, depois desta decisão você inicia o processo de desenvolvimento do amor que é Conhecer, Respeitar (aceitar), Cuidar, Responsabilizar, Compreender.

Costumo dizer que conhecer é o vestibular do amor. Se você conhece de verdade, então pode submeter a relação a prova e ver se as qualidades superam os defeitos e se os defeitos, ainda que pequenos, são suportáveis. Se alguém tem mil qualidades e apenas um defeito, mas este defeito é insuportável, essa relação não tem futuro. Caia fora. Mas se você é capaz de RESPEITAR o outro como ele é sem querer mudá-lo (a), então dê este próximo passo e cresça em amor.

A seguir leia a respeito do segundo verbo do amor que é o RESPEITAR.

Dr. Adami A. Gabriel – Psicólogo e Pastor. Atualmente em doutoramento na “Texas School of Professional Psychology” at Argosy University/Dallas, USA (Título original Explicando os Cinco Verbos do Amor) http://planeta.terra.com.br/saude/Adami/

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