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Reconstrução da autoestima

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A reconstrução da mama é um tema que causa muita ansiedade entre as mulheres prestes a se submeter à mastectomia, justamente num momento em que já se encontram muito fragilizadas pela notícia do diagnóstico.

O assunto é tão importante que existe até uma lei federal (no 9.797, de 6/5/1999) que garante o direito da cirurgia plástica reconstrutora a todas as mulheres que sofreram mutilação total ou parcial da mama decorrente de tratamento do câncer, sejam elas atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou por planos privados. O que costuma causar mais dúvida entre as pacientes é se a reconstrução deve ou pode ser feita imediata ou posteriormente à mastectomia.

QUANDO É MELHOR ESPERAR
“Obviamente, todas gostariam de sair da cirurgia com a mama refeita, mas em certos casos isso precisa ser adiado”, diz Luiz Henrique Gebrim, diretor-superintendente doada para mulheres hipertensas, diabéticas ou muito obesas, pois o risco de complicações é alto, já que a paciente permanecerá na mesa de cirurgia por muitas horas”, diz o médico.

O mesmo se aplica aos casos avançados de câncer de mama, cujo tempo de operação também é bem mais longo. Nessas situações, o mastologista recomenda que a reconstrução seja feita no mínimo seis meses e no máximo um ano depois da mastectomia. A necessidade de fazer radioterapia após a cirurgia é outro ponto importante a se considerar na hora de decidir quando deve ser feita a reconstrução da mama – e, nesse caso, não há unanimidade entre os médicos.

A radioterapia pode causar rejeição do implante de silicone em até 40% das pacientes, o que requererá uma nova reconstrução mais tarde. Enquanto alguns mastologistas preferem adiar a intervenção para depois do tratamento radioterápico, outros acreditam que ela deva ser feita imediatamente, mesmo com o risco de rejeição.

“A mutilação afeta muito a qualidade de vida da mulher e a relação com seu parceiro. Isso pode trazer depressão e comprometer a adesão ao tratamento”, explica Marcelo Moura Costa Sampaio, cirurgião plástico do Ambulatório de Mastologia Social do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, que atende 30 pacientes por mês pelo SUS.

Costa Sampaio também desmente a ideia de que a reconstrução prejudicaria a detecção de recorrência da doença. “É mito. Essas pacientes continuam fazendo os exames tradicionais, como ultrassom e mamografia, sem que isso prejudique o tratamento ou o acompanhamento.”

IMPLANTES E RETALHOS
A reconstrução da mama pode ser feita por meio de várias técnicas, e a escolha do cirurgião plástico vai depender de algumas características físicas da paciente. Em mulheres magras e com seios médios ou grandes, a preferência é pelo implante de silicone, o mesmo usado nas cirurgias estéticas para aumentar a mama (embora a colocação dele seja diferente: na reconstrução, o implante vai atrás do músculo peitoral; na cirurgia estética, atrás da glândula mamária, por cima do músculo peitoral).

Mas se a mulher tiver seios muito pequenos, pode não haver pele suficiente para recobrir o implante; então, a opção é pelo expansor tecidual, uma espécie de implante vazio que é preenchido lentamente com soro fisiológico, ao longo de semanas ou meses, para distender a pele. Quando houver espaço suficiente, uma nova cirurgia é necessária para colocar o implante de silicone. Nesses dois casos, implante ou extensor, a aréola e o mamilo geralmente são mantidos.

Já quando a mulher tem mamas grandes e não é magra, as técnicas mais usadas consistem na remoção de um retalho de tecido de outra parte do corpo da própria paciente. Uma das possibilidades é o retalho abdominal, no qual são retirados pele e gordura da barriga, da região entre o umbigo e o púbis; a cicatriz fica parecida com a de uma cesariana. Segundo Gebrim, as pacientes costumam ficar satisfeitas com o resultado, porque, além de reconstruírem a mama, perdem aquela incômoda barriguinha.

A segunda opção, no caso de a mulher não ter tecido suficiente no abdome, é usar um retalho de músculo das costas, o chamado músculo grande dorsal, que é então implantado na região da mama extraída juntamente com um implante de silicone. A reconstrução com retalhos de tecido – abdominal ou dorsal – tem a desvantagem de não preservar o mamilo e a aréola.

O mamilo pode ser reconstruído posteriormente, seja com um fragmento do mamilo da mama oposta, seja com pequenos retalhos de tecido da virilha, por causa de sua pigmentação mais escura, explica Costa Sampaio. Já a aréola costuma ser refeita por meio de tatuagem, sempre por profissionais capacitados, de preferência indicados por médicos.

EM BUSCA DE SIMETRIA
Em 2001, Beatriz Dobke, então com 38 anos, fez uma mastectomia com reconstrução imediata da mama usando retalho de tecido abdominal. “Isso foi muito importante para minha autoestima. Eu não queria sair do hospital mutilada”, diz. No entanto, nem tudo saiu como ela queria. “A mama operada ficou muito maior que a outra, mas eu fiz a simetrização depois que terminei a quimioterapia e estou bem contente com o resultado”, afirma Beatriz, que também já reconstruiu o mamilo e tatuou a aréola.

A simetrização, isto é, uma segunda operação para deixar as duas mamas simétricas, é muito comum, segundo Costa Sampaio. “Só depois que o inchaço da mama operada regride e os cortes cicatrizam é que podemos ver realmente o resultado. Por isso é muito frequente fazer uma cirurgia posterior para remodelar a mama e deixar as duas proporcionais”, explica o médico, lembrando que esse procedimento adicional também é direito de todas as pacientes.

Obviamente, nada é perfeito. A mama reconstruída nunca ficará exatamente igual àquela que foi perdida. Por isso é importante alertar as mulheres que vão passar pela reconstrução, mostrar fotos de outras pacientes já operadas, para não criar falsas expectativas, explica Gebrim. Pode demorar algum tempo até que se completem todas as etapas, como a reconstrução do mamilo e a tatuagem da aréola, quando necessário, bem como a simetrização.

Seja como for, o fato é que ninguém se arrepende. A vida fica muito melhor com uma mama nova, ainda que não totalmente perfeita, do que sem ela. É importante lembrar, porém, que a reconstrução mamária é um direito, e não um dever. E que há, sim, mulheres que preferem não fazê-la.

“Isso acontece geralmente com pacientes idosas, que preferem ser poupadas de um período de recuperação mais longo”, diz o médico. A restrição de movimentos nos braços pode levar de um a dois meses e, quando a reconstrução é feita imediatamente à mastectomia, são pelo menos dois dias a mais de internação. É também uma opção que merece ser igualmente respeitada.

AS PRINCIPAIS TÉCNICAS USADAS NA RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA

IMPLANTE DE SILICONE
É indicado para mulheres magras e que não tenham os seios muito pequenos. O implante deve ser trocado depois de 12 ou 15 anos. Mamilo e aréola são preservados.

RETALHO DE TECIDO ABDOMINAL
Retiram-se pele e gordura da região entre o umbigo e o púbis. Indicado para mulheres acima do peso. Mamilo e aréola são reconstruídos posteriormente.

RETALHO MUSCULAR
Indicado para mulheres com pouca gordura abdominal. Retira-se uma parte do músculo grande dorsal (parte lateral das costas, abaixo do ombro). O implante de silicone é usado como preenchimento. Mamilo e aréola são reconstruídos depois.

EXPANSOR TECIDUAL
Mulheres com seios muito pequenos não têm pele suficiente para receber o implante de silicone. O expansor é um implante vazio, que ao longo de semanas ou meses vai sendo preenchido com soro fisiológico para distender a pele lentamente. Quando se atinge o tamanho desejado, o extensor é trocado por um implante de silicone. Mamilo e aréola geralmente são mantidos.

 

http://www.mulherconsciente.com.br/Viva-Bem/detalhe.aspx?id=13

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