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A volta ao mundo pela leitura

Um dos objetivos clássicos nas primeiras etapas da educação é despertar o interesse – se possível, fascinação – dos alunos pela leitura. Com frequência, o expediente é tornar a leitura obrigatória. Entretanto, não é fácil fazer da leitura um hobby quando ela é resultado de uma exigência: o verbo ler não suporta o imperativo, observa Daniel Pennac na sua obra Como um Romance (ver Interprensa de junho de 1997 – L2/97).

A esta dificuldade é preciso acrescentar as peculiares circunstâncias atuais da infância: o esforço mental que ler um livro exige torna-se mais penoso quando é preciso competir com os efeitos especiais da televisão ou dos videogames. Embora com frequência bons professores e pais persistentes consigam uma resposta positiva dos alunos e introduzam neles o gosto pela leitura, em poucas ocasiões um método é garantia de sucesso.

No entanto, o colégio de ensino primário Discovery, da cidade de San Marcos, na Califórnia, encontrou uma fórmula triunfante. Lori Jones criou um programa escolar que é aplicado ao centro educativo como um todo, com o nome Em que parte do mundo você está lendo?

A ideia é simples e está proporcionando excelentes resultados. Cada aluno pode ir percorrendo os diversos continentes acumulando horas de leitura em casa. São necessárias 12 horas na frente do livro para atravessar um continente. A cada semana, durante a reunião do colégio, são distribuídos prêmios. Como é lógico, as recompensas estão relacionadas com os diversos locais geográficos: quem atravessa a Antártida, por exemplo, tem direito a receber um sorvete. Quem não sabe ler também pode competir, desde que os pais leiam para a criança em voz alta.

Lori Jones sabe que alguns dos seus 800 alunos somente leem para conseguir os prêmios. Acredita, porém, que isso não invalide o sistema: Os atletas correm para conseguir medalhas, os jogadores de golfe para ganhar dinheiro. A leitura é uma capacidade fundamental na vida, e devemos usar qualquer instrumento ao nosso alcance para fomentá-la (San Diego Union Tribune, 04/01/02).

Vale qualquer livro. Entretanto, não está entre os objetivos do programa que todas as crianças leiam os clássicos. Mesmo assim, muitos deles não precisam de incentivos especiais para mergulhar, por exemplo, em Moby Dick, porque simplesmente ficam apaixonados pelo livro.

O outro elemento-chave do programa torna-se evidente ao visitar a aula de leitura do professor Quinlan, em que os alunos entram e saem da aula, trocam de lugar, leem apoiados em árvores do jardim ou adotam posições mais cômodas. Permitir essas pequenas liberdades durante a leitura, que complementa o programa comum do colégio, melhorou significativamente o interesse pela leitura e as habilidades literárias dos alunos.

INTERPRENSA – Ano VI – Número 60 – Julho/2002 – www.interprensa.com.br

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